Aviso aos Navegantes

05/04/2010

"Para ele, a música é libertadora: ela o liberta da solidão e da clausura, da poeira das bibliotecas e abre-lhe no corpo as portas por ondea alma pode sair para confraternizar-se. Gosta de dançar e lamenta que Sabina não compartilhe com ele esse prazer"

(A insustentável Leveza do ser, Milan Kundera)


Escrito por Laís Mezzari às 11h32
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03/12/2009

Lições da Máfia II

"Non importa chi sei, non importa che pensi, non importa da dove provieni, non importa che religione hai, non importa contro chi e a favore di cosa, basta che quello che fai lo fai con il nostro prodotto."

(Gomorra, Roberto Saviano)


Escrito por Laís Mezzari às 15h09
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30/11/2009

Lições da máfia

"Robbe', cos'è un uomo senza laurea e con la pistola?"

"Uno stronzo con la pistola."

"Bravo. Cos'è un uomo con la laurea senza pistola?"

"Uno stronzo con la laurea..."

"Bravo, Cos'è uomo con la laurea e con la pistola?"

"Un uomo, papà!"

"Bravo, Robertino!"

(Gomorra, Roberto Saviano)


Escrito por Laís Mezzari às 23h17
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25/11/2009

Lei municipal estabelece meia-entrada para professores

Por Laís Mezzari e Mariana Chiré

A lei que permite aos professores pagar meia-entrada em eventos e atividades culturais entrou em vigor dia 23 de outubro em Florianópolis, mas ainda não é conhecida por muitos estabelecimentos, como o CIC e o Teatro Pedro Ivo. Criada pelo vereador Márcio de Souza, esta lei de número 8019/2009, estabelece que para ter direito à meia-entrada os professores de ensino básico, médio ou superior, tanto de instituições públicas como privadas, devem apresentar o comprovante de pagamento ou a carteira de trabalho ao retirar seu ingresso.

Na Associação de Professores da UFSC (Apufsc), a medida foi divulgada por meio do boletim da instituição. O professor de direito e presidente em exercício da Apufsc, Rogério Portanovas, afirma que qualquer movimento que incentive a cultura é positivo, e que como são transmissores de conhecimento, o incentivo aos professores é importante. Segundo Portanovas, a ação deve atingir principalmente os professores de 1º e 2º grau, já que os de ensino superior têm um salário maior e frequentam eventos culturais independente do valor.

Com relação aos estabelecimentos culturais, os cinemas receberam a notificação por fax e já cumprem a lei. A gerente do Cinesystem, localizado no Shopping Iguatemi, Sueli Ebert, diz que já houve professores procurando por seus direitos, mas o número não foi grande comparado com o público que o cinema atinge. Por isso, será muito difícil aumentar o valor dos ingressos baseado neste motivo.

Por sua vez, o dono da produtora C5, Luiz Henrique Costa, sabia que a norma estava tramitando no governo, mas não tinha conhecimento da sua aprovação. Apesar de achar esta decisão importante, principalmente para professores de escola pública, ele prevê um aumento de 10 a 15% no valor dos ingressos, já que é necessário repassar os custos da produção.

Atualmente, o número de meias-entradas vendidas por espetáculo é de 70 a 80%. Em casos específicos, como a apresentação do espetáculo “Os improváveis” neste final de semana, em que foram feitas seis sessões no Teatro Pedro Ivo, cada uma com capacidade para 750 pessoas, 90% dos ingressos que custavam 40 reais foram vendidos como meia-entrada. Neste caso, para trazer cada artista de São Paulo, foi gasto aproximadamente 6 mil reais.

Agora os produtores esperam pela aprovação de outra lei que é analisada pelo governo, e permite que apenas 30% dos ingressos sejam vendidos como meia-entrada. Mesmo que o número de estudantes conste como mais da metade do público, Costa acredita que esta nova medida beneficiará os teatros e também o público, já que o valor dos ingressos deve diminuir, mais pessoas irão ao espetáculo e deverão ser feitas mais sessões para atender a demanda. A diretora do CIC, Margareth Westphal, diz que assim que a lei for divulgada, o centro começará a cumpri-la. E como o objetivo do local não é lucrar e sim divulgar a cultura, o aumento do valor do ingresso é pouco provável.


Escrito por Laís Mezzari às 16h55
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11/11/2009

Estão acabando com as paçoquinhas!

Não sei o que está acontecedo, mas ontem fui feliz da vida comprar o doce mais barato oferecido pelo Básico, e só consegui comprar o último da única lanchonete que o tinha!

As paçoquinhas não podem acabar! Sem elas será impossível matar a vontade de comer doce por apenas R$0,35! E um dos doces mais gostosos e menos enjoativos, diga-se de passagem. E que ainda por cima não dão aquele peso na consciência porque são tabletes tão pequenininhos!

Já acabaram com os sorvetes de potinho e os sonhos recheados, temos que cuidar, ou o próximo depois da paçoquinha será o refrescante açaí!

Em prol das minhas tardes alegres de trabalho: Abaixo o sumiço das paçoquinhas!


Escrito por Laís Mezzari às 15h35
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15/10/2009

Reflexões no ônibus

Ainda na saga "aventuras no ônibus", tenho algumas considerações a fazer:

Estou pasma. Saindo de São José às 8:30 da manhã, demora mais de 1h30min pra chegar na UFSC!! Quase uma viagem pra Joinville! Isso que nem era horário verdadeiramente de pico!

Fones de ouvido deveriam vir com prazo de validade.

Sinto-me invadida quando as pessoas estão lendo o mesmo que eu. Em especial quando não as conheço, e elas viram o rosto descaradamente para ler a revista que está no meu colo.

Só em Florianópolis você encontra ônibus indo para  Saco Grande, Pantanal, Saco dos Limões e Carvoeira e, em contrapartida, também para Lisboa, Madri e Los Angeles.


Escrito por Laís Mezzari às 17h45
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09/10/2009

Escondido no olhar

Ando pela rua à procura de alguém interessante de se descrever. Busco atentamente e talvez pela pouca quantidade de pessoas na rua Lauro Linhares às sete e meia da noite, ou talvez por saber que pessoas aparentemente comuns têm muitas histórias a contar, me deparo com uma jovem senhora. Nada de excêntrico. Nenhum piercing, nem cabelos coloridos; nada que faça dela uma pessoa que queira chamar a atenção. Simplesmente uma pessoa como outra qualquer. Com sentimentos, dúvidas, certezas, razão e que não tenta se disfarçar por meio de esquisitices.

Ela anda em linha reta pela calçada disforme. Seus cabelos são curtos, levemente encaracolados e de cor castanho avermelhado. Certamente tinta para disfarçar a idade. E apesar do cabelo rejuvenescedor, tem as costas um pouco curvadas e o passo delicado, cheio de atenção, mas com certeza para onde está indo. Suas roupas são de tom marrom, a calça alta mais clara, com forma quase social e um casaco meio esportivo em tom escuro com alguns detalhes coloridos sobre o peito. Na verdade não combinavam, mas a tornavam invisível. Inicialmente achei que era isto mesmo que ela queria: ser invisível. Tinha um leve ar de melancolia que perpassava através do seu andar e do seu olhar, como se alguma reflexão constante permanecesse em sua mente. 

Em pouco tempo chegou ao ponto de ônibus. A parada relativamente iluminada e com uns três jovens a esperar. A senhora se senta, e aguarda ansiosa. A cada ônibus que aparece ao longe, fazendo a rótula da Trindade, próximo à universidade, ela levanta, tentando observar o nome. Dá um sorriso tímido e diz a um dos jovens que espera o Volta ao Morro da Carvoeira. Não, ela não quer ser invisível. Ainda tenta puxar mais algum de assunto, mas essas conversas sobre ônibus nunca rendem o suficiente. Prefere se calar.

Eu coloco os fones de ouvido para manter minha observação sem contato, mas em busca de alguma interferência interna, procuro uma música que sirva de trilha sonora à situação. Encontro Sia Furler e sua voz meio triste, quase que pedindo algo. Na falta de algo melhor, serve. O ônibus chega, a senhora senta no primeiro banco logo após a catraca. Olha atentamente para a rua, e permanece o tempo todo desta forma. Seu olhar busca algo, é disperso.

Sento-me próxima o suficiente para analisar sua feição e descobrir detalhes ainda inexplorados. O rosto me chama a atenção. Seus olhos levemente puxados se escondem atrás dos óculos de armação marrom com detalhes dourados. Ela parece um conjunto inteiro marrom, cor de sabedoria e desânimo. Eu imaginava que tinha aproximadamente 60 anos, mas seu rosto liso, quase sem rugas me pôs em dúvida. A delicadeza do rosto, porém, se contrapunha à aspereza das mãos. Estas manchadas pelo tempo, com as veias já à mostra, de leve tom azulado.

A mão direita acaricia a esquerda e, olhando atentamente, percebo que ela aperta seu dedo anular esquerdo, quase que o massageando, mas não há nada ali. Nenhuma aliança, mas talvez uma marca. Isso explicaria seu olhar perdido nas ruas, sua melancolia característica e a maneira como dava importância ao dedo, mesmo que instintivamente.

Não vejo sentido em sua vida, ela vive por viver, sem objetivos. Deve ser aposentada, e parece ter sido professora. Creio que tem filhos, ao menos dois, que por sua vez têm suas famílianão moram mais com a mãe. Ponto da Agronômica. Ela repentinamente se levanta e desce, e continua com seu olhar vago e solitário.


Escrito por Laís Mezzari às 14h38
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07/10/2009

Em busca de um vestido

Queria um vestido simples, destes pra usar no dia-a-dia, talvez num barzinho à noite. Andando pela rua comercial no Kobrasol, em São José, passo por três vitrines que chamam a minha atenção. Vestidos basicamente iguais. Minha TPM trouxe vontade de gastar, de achar que mereço me dar um presente. Então, vamos lá!

Primeira loja:

De longe vejo uma plaquinha em papel sulfite onde estava escrito R$34,00. Sorrio, apesar de saber que nunca seria verdade, e deveria ter um "2x" em letras minúsculas ao lado. Mais perto constato: peças por R$34,00. E é claro que nenhuma da vitrine está neste preço.

Vestido: R$94,00 e balonê, que deve deixar meus quadris com o dobro do tamanho, parecendo uma verdadeira pêra. Nem entrei.

Segunda loja:

Vestido super simples. Preto sem muitos detalhes e tecido que você encontra na malharia mais próxima.
Diálogo: Vendedora: "Este veio do Rio de Janeiro, é da marca X e custa R$259,00" (como se o fato de ter sido feito no Rio de Janeiro mudasse muita coisa. Ah, claro! Teremos olimpíadas lá! Tinha esquecido deste detalhe.)
Eu: "Ah... ok. Mas deixa pra lá. Não pago 259 reais num vestido simples".
Vendedora: "Mas este é de qualidade! Vem do RIO!!  Pensa que ele vai durar a vida toda!"
Eu: "Justamente. Não quero um vestido que dure a vida inteira!"

Terceira loja:

Praticamente o mesmo vestido por R$54,00. Sorrio.

Entrei e me senti um fantasma. A vendedora passou por mim e nem pra dizer "só um minutinho". Acho que meu all star meio acabado e cabelo em rabo de cavalo mal preso não agradaram muito. Fiquei com raiva e saí.

Desisto de gastar.


Escrito por Laís Mezzari às 13h54
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29/09/2009

Correria também deixa saudades

Semana do Jornalismo se foi e agora dá até uma sensação de vazio não ter nada que tire o meu tempo de folga. Mas valeu a pena em cada detalhe.

Aprendi tanto! E apesar das inúmeras noites mal dormidas, dores de cabeça e caixa de e-mails que não para, estar na organização deste evento é maravilhoso!

Começando pela Revista Semana, que tomou parte das minhas férias, noites e finais de semana, mas foi um grande aprendizado pra mim! E confesso que é um orgulhinho muito bom poder entregar um produto final e ver as pessoas lendo e comentando as matérias.

Durante a 8ª Semana do Jornalismo, fiz o minicurso de After Effects que foi bárbaro, e todas as mesas e palestras tiveram uma abordagem interessante do conteúdo. Mas acho que uma das coisas mais legais de estar na organização é a interação com os convidados. Gente de todos os tipos, todos os jeitos, todos os lugares, e que só subiram no nosso conceito. O que é ir ao C.A. com Klester Cavalcanti, Cassiano Machado e João Paulo Cuenca? Rir horrores numa pizzaria com Flávio Dieguez e José Eduardo Barella? Ouvir toda a trajetória de Paul Jurgens? Dançar com Fred Di Giácomo, ouvir a Thais Itaqui cantando beatles, ver o Felipe Gutierrez discotecar e falar sobre música gaúcha com Mikael Fox?

Todos uns fofos! Dá vontade de não fazê-los mais sair daqui. Se não fosse tão difícil organizar, votaria por ter Semana do Jornalismo todo mês!

 Organização da maior Semana Acadêmica de Jornalismo do Brasil


Escrito por Laís Mezzari às 23h46
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Aventuras no nordeste real

"Oi mãe! Como estão as coisas aí?"

"Muito frio! Saiu no jornal que em Florianópolis tá 0 grau! Você levou um casaquinho né?"

"Mãe! Eu tô falando contigo de um orelhão na Praia do Futuro, de biquine e a quase 40 graus!"

Assim foi o meu primeiro dia em Fortaleza, onde fui pra participar do Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação (ENECOM). Julho e um calor infernal! Meu melhor verão no inverno.

Três dias de viagem, de microônibus. Impossível não comentar. Sempre falei que em época de faculdade temos que fazer umas loucuras como essa. Afinal, uma dorzinha nas costas, noites mal dormidas e tomar banho na estrada ainda são coisas que se consegue aguentar. O bom foi estar com uma galera divertida e em sintonia: na hora de festar, todo mundo festa junto, quando outro começa a ler, de repente todos estão com um livro nas mãos. E como não chegamos a tempo para o credenciamento e para a vivência, nada melhor do que praia pra relaxar.

 

 Praias que são tão lindas quanto as de Santa Catarina, mas obviamente com uma natureza bem característica, a exemplo dos coqueiros. Consegui conhecer a Praia do Futuro e Canoa Quebrada. Esta última fica há umas 2 horas de Fortaleza, mas vale a pena cada minuto no ônibus e cada buraco na estrada. As famosas falésias não são tão grandes quanto eu esperava, mas fazem com que o local tenha o pôr do sol mais bonito que já vi.

 

 

 

O povo é outro caso à parte, e decididamente merece mais destaque do que as praias, que já se tornaram praxe nas descrições sobre o nordeste.

Talvez pelo calor, talvez pela diversidade de cachaças baratas ou até mesmo por poder comprar castanhas de caju a quilo, formam um povo sorridente e receptivo. E apesar das dificuldades, encaram tudo com bom humor e com o jeitinho brasileiro de ser. Exemplos? Vários. No mesmo dia da Praia do Futuro, resolvemos ir a uma feirinha no centro, e de repente para um microônibus ao nosso lado.

"Vai pra feirinha do centro moço?"

"Vai sim, para lá na frente. Vai entrando, vai entrando!"

E lá fomos nós, umas sete pessoas, entrar no microônibus que já estava cheio.

"Moça, você pode sentar ali, do lado do motorista. Coloca a bolsa desta outra mulher aqui, e vocês se expremem ali no ladinho."

A situação foi ficando crítica. A tal lotação andava com a porta aberta, e mais gente ia entrando, com o cobrador ditando onde deveríamos sentar e para onde o motorista deveria ir. E começamos a passar pela periferia, com estrada de chão batido, crianças correndo descalças e pessoas com sacolões entrando e saindo.  Eu, com a minha cara de turista impossível de esconder, bem à frente do ônibus, com um janelão imenso na minha frente, como se dissesse "oi, sou turista! Venham me roubar". Nosso grupo conversava pelo olhar e, apesar da tensão, estávamos achando tudo incrível. Um bando de  jornalistas bobos com mais uma história pra contar. Juro que com aquela porta aberta, pensei que fosse algo planejado para roubar os turistas.

Minha mente se mostrou fraca e preconceituosa; em pouco tempo estávamos na avenida principal. Rua larga, asfalto, shoppings e apesar do motorista não dirigir direito, chegamos sãos e salvos. Um contraste de imagens, como se aquela imensidão de concreto quisesse dizer alguma coisa. "Aqui vocês não têm vez, são apenas figurantes."

Um povo admirável, que encara as situações mais inóspitas com bom humor e de cabeça erguida. E ainda dança forró pra espairecer.

Minha vontade é falar um pouco mais de tudo e retormar as milhões de coisas que não comentei, mas vou deixar isso para outra hora.

OBS: Talvez minha descrição já não são seja tão precisa quanto seria se a tivesse feito assim que cheguei de viagem. Faz tempo que queria escrever minhas impressões aqui, mas com tanta coisa acontecendo acabo deixando o blog de lado. De qualquer maneira, vale a pena tentar e deixar registrado.


Escrito por Laís Mezzari às 00h50
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04/05/2009

Eu sei, mas não devia - Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(1972)


Escrito por Laís Mezzari às 00h14
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03/05/2009

Amado - Vanessa da Mata

Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu
Fico desejando nós gastando o mar
Pôr-do-sol, postal, mais ninguém

Peço tanto a Deus
Para lhe esquecer
Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus

Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais

É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer

Sinto absoluto o dom de existir,
Não há solidão, nem pena
Nessa doação, milagres do amor
Sinto uma extensão divina

É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você


Escrito por Laís Mezzari às 23h50
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20/02/2009

"O tempo não pára..."

Três meses de férias.  

"Tudo isso?? Vou ficar entediada!" Foi o que pensei logo que fiz as contas.

Grande mentira. Só me resta uma semana e eu nem vi o tempo passar. E pior ainda, das milhões de coisas que eu planejei fazer nesse período, consegui fazer poucas...

Ok... vou falar a verdade: quase nenhuma. Uia, internet toma muito tempo! Dormir mais ainda! "Caminho das Índias" e "Mulheres apaixonadas" umas 4 horas por dia.

De qualquer maneira ainda tenho uma semana, um livro pra terminar, muitos filmes pra assistir, duas línguas estrangeiras pra estudar, alguns quilos a perder, umas duas listas a fazer, alguns amigos para contactar, um livro de receitas pra escrever, pastas pra organizar, seriados pra ver, trabalho com a mãe pra finalizar...

Ai ai, era uma vez um carnaval.

 

P.S: "Ah! Você faz Jornalismo?! Quero te ver apresentando o Jornal Nacional, hein?!" - Por que qualquer menina que faz jornalismo tem que ser a próxima Fátima Bernardes?


Escrito por Laís Mezzari às 13h52
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25/01/2009

Coisas inexplicáveis... Como um pernilongo sabe exatamente onde está a sua orelha pra ficar zunindo nela a noite inteira??

Só pra constar: odeio pernilongos.


Escrito por Laís Mezzari às 10h41
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22/12/2008

Chegou o verão!

Recebi por e-mail e tive que postar aqui. Divirtam-se:
 
Verão também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre,
pouca cintura e muita gordura, pouco trabalho e muita micose.
Verão é picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho cozido na
água da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca.
 
Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado que não entra no tênis.
Mas o principal ponto do verão é.... A PRAIA!
Ah, como é bela a praia.
Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer coleção.

Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias.
Os jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram
a prancha pra abrir a cabeça dos banhistas.
O melhor programa pra quem vai à praia é chegar bem cedo,
antes do sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e as famílias estão chegando.

Muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa, toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de férias.
Em menos de cinqüenta minutos, todos já estão instalados, besuntados e prontos pra enterrar a avó na areia.

E as crianças? Ah, que gracinhas! Os bebês chorando de desidratação, as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os adolescentes ouvindo mp3 enquanto dormem.
As mulheres também têm muita diversão na praia, como buscar o filho afogado e caminhar vinte quilômetros pra encontrar o outro pé do chinelo. (além de ficar de olho no olho do maridão pra brigar direto e se fazer de santa enquanto tara os volumes nas cuecas dos sarados)

Já os homens ficam com as tarefas mais chatas, (como um burro de carga, carregar toda a tralha) como perfurar o poço pra fincar o cabo do guarda-sol. É mais fácil achar petróleo do que conseguir fazer o guarda-sol ficar em pé. Mas tudo isso não conta, diante da alegria, da felicidade, da maravilha que é entrar no mar! (e ficar olhando aquelas gatinhas quase peladas e fingir que são como suas filhas)

Aquela água tão cristalina, que dá pra ver os cardumes de latinha de cerveja no fundo.
Aquela sensação de boiar na salmoura como um pepino em conserva.
Depois de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal e a periquita cheia de areia, vem aquela vontade de fritar na chapa.

A gente abre a esteira velha, com o cheiro de velório de bode, bota o chapéu,
os óculos escuros e puxa um ronco bacaninha.
isso é paz, isso é amor, isso é o absurdo do calor!!!!!
Mas, claro, tudo tem seu lado bom.
 
E à noite o sol vai embora.
Todo mundo volta pra casa tostado e vermelho como mortadela, toma banho e
deixa o sabonete cheio de areia pro próximo. O Shampoo acaba e a gente acaba
lavando a cabeça com qualquer coisa, desde creme de barbear até desinfetante
de privada.
 
As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a casa da praia oferece.
Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e uma dormidinha na rede pra
adquirir um bom torcicolo e ralar as costas queimadas.
O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga em família.
 
Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e torcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo possa se encontrar no mesmo inferno tropical.
Qualquer semelhança com a vida real, é uma mera coincidência.

 


Escrito por Laís Mezzari às 18h20
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BRASIL, Sul, FLORIANOPOLIS, Mulher, de 15 a 19 anos, Italian, English, Viagens, Livros


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